DA REDAÇÃO
Pedras, pedaços de troncos e galhos, folhas, terra e outros insumos encontrados na natureza ganham novos significados nas mãos de Deco Adjiman. A metodologia poética do artista visual e poeta se estrutura entre o exercício da coleta e do deslocamento da matéria, que se expande tanto no espaço como na escrita, criando diferentes fabulações.
Chão é outra palavra para voo é a mais nova exposição individual de Adjiman, na Galeria Luis Maluf – Barra Funda, em São Paulo, com curadoria de Ana Carolina Ralston. Com obras que transitam entre escultura, pintura, instalação e poesia, a mostra apresenta um recorte da pesquisa do artista com trabalhos que tensionam os limites entre arte, ambientalismo e memória.
Um dos destaques de seu processo atual é a cor alcançada com a terra bruta moída em pilão, coletada em diferentes estados brasileiros e utilizada em diversas obras expostas. A materialidade da paisagem também se transforma em linguagem. O alfabeto e o gesto da escrita estão presentes em diversos trabalhos ao longo do espaço, mesmo na ausência concreta da palavra, como histórias gravadas nas matérias-primas naturais que deram origem às peças.
A escultura Pintura de paisagem, ascensão (2025), recém-produzida em uma residência de que Adjiman participou no Parque Nacional do Itatiaia, na Serra da Mantiqueira, traz uma espécie de paisagem desconstruída para a mostra. Materiais como cordas tingidas pela terra de quatro montanhas escaladas pelo artista, fios de algodão na dimensão das circunferências dos cumes e troncos, que remetem às próprias montanhas, são apoiados na peça de madeira esculpida com os contornos das formações rochosas da região, recriando a paisagem.
Chão é outra palavra para voo
Curadoria: Ana Carolina Ralston
Até 25 de setembro
Galeria Luis Maluf
Rua Brigadeiro Galvão, 996
Barra Funda, São Paulo, SP
De segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábados, das 11h às 16h












