22/07/1898*(Lawnton, EUA)
11/11/1976 (Nova York, EUA)
De objetos delicados e figurativos em arame e madeira, até os trabalhos cinéticos, os móbiles suspensos e as esculturas abstratas de aço e alumínio em escala monumental, o artista norte-americano Alexander Calder concebeu suas obras como um experimento do movimento no espaço. Rejeitando a compreensão tradicional da escultura como estátua ou monumento, empregou a linha como meio de levitar a forma e desafiou a relação entre massa, gravidade e volume.
Filho de pais artistas e formado em Engenharia Mecânica, estudou pintura em Nova York e iniciou sua carreira como ilustrador. Ao se estabelecer em Paris (1926), criou o Cirque Calder, uma obra performática a partir de uma escultura de arame e outros materiais fundidos, que o inseriu na vanguarda parisiense. Mas foi uma visita ao ateliê do pintor holandês Piet Mondrian, em 1930, que levou Calder a uma mudança radical em sua obra.
“Era uma sala muito excitante. A luz entrava pela esquerda e pela direita, e na parede sólida entre as janelas havia arranjos experimentais com retângulos coloridos de papelão pregados. Sugeri a Mondrian que talvez fosse divertido fazer esses retângulos oscilarem. E ele, com um semblante muito sério, disse: ‘Não, não é necessário, minha pintura já é muito rápida.’ (…) Essa única visita me gerou um impacto que iniciou as coisas.”
Pioneiro na arte cinética, passou a desenvolver o trabalho pelo qual ficou mais conhecido: o móbile – nome dado pelo amigo Marcel Duchamp para as esculturas que se moviam. Inicialmente, os móbiles eram motorizados, mas Calder preferiu o acionamento por toque ou vento, incluindo a interação do público com a obra e a imprevisibilidade da movimentação das correntes de ar. Com essa nova forma de construção escultórica, abriu novas possibilidades para o tridimensional, impactando gerações de artistas pelo mundo, com fortes reverberações na arte construtiva brasileira dos anos 1950 e 1960, principalmente no movimento neoconcreto, e ecoando até a contemporaneidade.
A primeira visita do artista ao Brasil aconteceu em 1948, quando foram organizadas exposições individuais no Rio de Janeiro e em São Paulo. Alguns de seus trabalhos foram incluídos nas duas primeiras edições da Bienal de São Paulo e, em 1959, o MAM Rio realizou mais uma mostra individual de sua obra. Ao todo, Calder visitou o país em três ocasiões, tornando-se próximo de artistas e arquitetos brasileiros, como Roberto Burle Marx, Rino Levi, Henrique Mindlin, Heitor dos Prazeres, Lina Bo Bardi, entre outros. A divulgação de sua obra no Brasil teve a importante contribuição do crítico Mario Pedrosa, que escreveu vários textos sobre seus trabalhos, num momento em que a arte brasileira iniciava um período de grandes transformações. O interesse de Calder por materiais industriais e formas geométricas, a negação da representação em prol de um universo artístico autônomo, além da quebra de uma relação mais contemplativa entre o público e a obra, influenciou a leva de artistas brasileiros que despontava nos anos 1950, mais fortemente os que integrariam o neoconcretismo.
A partir de 1953, Calder passa a desenvolver projetos escultóricos em grandes dimensões. Inicia a fabricação de seus trabalhos monumentais com o auxílio de uma fundição industrial, dedicando grande parte de seus últimos anos às obras públicas.
Para Jean-Paul Sartre, “A escultura sugere movimento, a pintura sugere profundidade ou luz. Calder não sugere nada. Ele captura movimentos reais e vivos e os transforma em algo. Seus móbiles não significam nada, não se referem a nada além de si mesmos. Eles simplesmente são: são absolutos.” (1946)
* Há uma confusão em relação à data de seu nascimento que pode ter sido em 22/07, como consta em sua certidão de nascimento, ou 22/08, como afirmavam seus pais.

















