Por Leo Ayres*
¿Acaso los árboles no sueñan con tocar el sol, aquel que les emana la luz que los alimenta?
¿Acaso el sol, en su ardor, no quiere que los árboles le toquen, o que cualquier cosa le toque sin morir, sin decomponerse, sin desvanecerse?
Breyner Huertas
Minhas irmãs ainda estão quietas. Talvez ainda não tenham acordado. Difícil dizer ao certo. Será que vai chover hoje? Não vejo nuvens.
Um ser humano. Havia tempo que não via um. Pensava que estavam extintos. Ele veste uma roupa estranha dos pés à cabeça e não consigo ver seu rosto. Carrega um pequeno objeto de onde sai uma fumaça densa, que enevoa todo o ambiente. Vai percorrendo todo o espaço com movimentos quase ritualísticos.
De repente, as luzes se apagam. Sou tocada por um feixe de luz. Não como a luz do sol, mas como se fosse apenas um raio mudando de cor. Todo um espectro de luzes varre meu corpo. Faz cócegas. Talvez o objetivo seja esse mesmo: me fazer rir. Não vejo motivos para isso desde… Nem gosto de lembrar. Incêndio. Destruição. Morte. O que fizemos para merecer isso?
O ser humano não consegue conviver com o que lhe é diferente. Quer matar e destruir. Só porque não sei andar e falar como ele? Esquece que somos quem lhe veste, lhe alimenta, lhe dá o ar para respirar. Talvez nunca soube de fato. Não consegue perceber que somos um só corpo? Na sua ânsia de dominação, acabou com tudo. Ou quase. Algumas de nós sobrevivemos. Ou quase.
O planeta não é mais o mesmo. O solo está mais árido e o clima bem mais quente. Antes, as estações do ano eram bem marcadas. Agora não sei mais se é verão ou inverno, se é dia ou noite. É difícil se adaptar a todas essas mudanças.
As luzes se foram. A fumaça também. Vocês viram isso? Estão acordadas? Ou sou eu que ainda estou dormindo?
* Leo Ayres é artista visual e gestor do espaço independente ALINALICE.




