A Casa Firjan, em Botafogo, no Rio de Janeiro, recebe a exposição Decupagem – Iole de Freitas até 8 de março. Ocupando duas salas do casarão de 1906 e fazendo parte do Programa Casa Aberta, a mostra refaz o percurso da artista por meio de seu processo criativo. São esculturas em diversos materiais, como aço, fio de cobre, latão e tecido, além de fotografias, esboços, rascunhos e documentos, que pertencem ao acervo documental do Instituto de Arte Contemporânea de São Paulo, o IAC. O panorama apresenta desde os primeiros trabalhos dos anos 1970, até as atuais obras brancas.
Com curadoria de João Bandeira, a exposição permite ao espectador acompanhar o desenvolvimento do raciocínio plástico da artista ao longo de quatro décadas. Os anos 1970 foram marcados por trabalhos em Super 8 e 16mm, dos quais também eram retirados fotogramas para a realização de sequências fotográficas. Nesse período, seu interesse era voltado para experiências com o corpo, inspiradas na Body Art. Até 1978, Iole de Freitas viveu em Milão, na Itália, e chegou a trabalhar como designer na Olivetti. Na volta ao Brasil, passou a dedicar-se integralmente às artes visuais.
Na década de 1980, foram intensificadas as investigações do espaço real, que buscavam cada vez mais a integração das obras com o ambiente arquitetônico. Decupagem é uma oportunidade para conhecer projetos, maquetes e estudos de trabalhos em grandes dimensões, produzidos pela artista com tubos e chapas de policarbonato transparente, que dialogaram com obras de arquitetos, como a Fundação Iberê Camargo, do português Álvaro Siza; a Pinacoteca do Estado de São Paulo, de Paulo Mendes da Rocha; e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Affonso Eduardo Reidy, apenas para mencionar alguns.
As produções mais recentes são estruturas em aço inox recortado, que após passarem por um processo de sucessivas camadas de raspagem e pintura branca, ganharam visualmente a textura de papel. São trabalhos que lembram, segundo a própria artista, as colagens de Matisse, mas que mantém viva a relação entre arquitetura e arte, marca primordial de sua obra.
O espaço expositivo, antiga residência da família Guinle, ocupa um terreno de 10 mil m2 em área nobre da cidade. Além de também merecer a atenção do visitante, contribui para o sucesso do projeto expográfico, com um interessante contraste entre as linhas clássicas da construção do início do século passado e a proposta contemporânea da obra de Iole de Freitas.
Decupagem – Iole de Freitas
Curadoria de João Bandeira
Casa Firjan
Rua Guilhermina Guinle, 211 – Botafogo – Rio de Janeiro
De terça a sábado, das 10h às 20h
Domingos e feriados, das 12h às 18h
Até 8 de março
Entrada gratuita
Classificação livre
Outros textos sobre a artista:
Iole de Freitas: singelezas de aço










