Uma instalação com cerca de 100 estruturas de fio de metal enredadas ocupa quase todo o centro do espaço expositivo, se assemelhando à teia que envolve, em uma das extremidades, uma casa de vespas. O resultado é a mistura entre construção arquitetônica, extrema leveza e organicidade da construção animal.
Esse é o primeiro impacto ao se entrar na Anita Schwartz Galeria, onde, até o dia 11 de janeiro, o público poderá conhecer obras inéditas de Daisy Xavier, num total de 20 trabalhos distribuídos por dois andares. Com curadoria de Ulisses Carrilho, Sobre como as coisas caem – título retirado de um trecho do livro Sete lições de física, do físico italiano Carlo Rovelli – traz, ainda, pinturas e desenhos sobre os quais foram aplicados materiais como ácido, petróleo, pó de ferrugem, pedaços de papel, tela, chapas de metal e cobre amassadas e corroídas. Essa reunião de elementos contribui para desvelar o interesse da artista pela transformação e dissolução da matéria e pelas reações químicas desencadeadas pelas substâncias utilizadas. Tudo atua como metáfora para a finitude da vida.
Diante da instalação, quatro telas em grande formato aparecem como estudos para sua realização. Em algumas, a estrutura em forma geométrica que compõe a teia parece querer saltar ou, utilizando a imagem criada pela artista, “cair” do quadro, o que remete à ideia dos Casulos, de Lygia Clark, na passagem da tela para o tridimensional.
No pavimento superior, desenhos a nanquim com os mesmos materiais corrosivos e aplicações de chapas de metal mantêm a coerência temática da mostra. A queda tem muitos significados para Daisy Xavier: da decadência dos valores e sentidos no mundo contemporâneo à decaída material e corrosiva da morte. Como forma de lidar com essa queda faz-se necessário buscar novos parâmetros, uma vez que os estabelecidos estão se dissolvendo, nas palavras da artista.
Xavier aponta ainda que movimentos regressivos, de contenção e negação, representam mais um problema do que uma solução, para encarar a nova realidade. Essa ideia nos remete a Suely Rolnik, psicanalista (assim como Daisy), curadora e crítica de arte que em seu livro Esferas da insurreição – notas para uma vida não cafetinada, afirma que a única condição de possibilidade de resistência política é sustentar o mal-estar, este sim, capaz de introduzir uma ruptura, uma mudança. Xavier se aproxima, assim, de Rolnik quando diz “me interessa mais acolher do que resistir à queda”.
Sobre como as coisas caem
Daisy Xavier
Curadoria de Ulisses Carrilho
Anita Schwartz Galeria de Arte
Rua José Roberto Macedo Soares, 30 – Gávea – Rio de Janeiro
De terça a sexta, das 10h às 20h
Sábados, das 12h às 18h
Até 11 de janeiro de 2020
Entrada gratuita
Classificação livre
www.anitaschwartz.com.br









