Agregando os elementos água, terra, fogo e ar em seus processos poéticos, Gabriela Noujaim expõe quatro trabalhos inéditos que tratam da correlação entre o desequilíbrio ambiental e a exploração das riquezas naturais do planeta. Em individual, na galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea, a artista apresenta pesquisa que estabelece conexões entre a arte contemporânea e o conceito de Antropoceno – época geológica caracterizada pelos impactos que a atividade humana exerce sobre os ecossistemas do globo, capaz de modificar a composição da atmosfera, do solo, dos rios e oceanos.
Na videoinstalação Aquário, reproduções de imagens do derretimento de geleiras, situadas nas regiões mais frias do mundo, foram mixadas a filmagens de ondas do mar de São Conrado. Remetendo aos efeitos que o aquecimento global tem provocado no meio ambiente, a obra site specific traz pedaços de espelho dispostos no chão da sala escura que refletem as imagens do vídeo, ampliando a percepção visual de destruição.
Em Maraca, o corpo de Noujaim, pintado com padrões do grafismo indígena, entra em simbiose com a floresta. O vídeo tem a ancestralidade como referência, tanto em relação aos saberes de preservação ecológica dos povos originários, quanto à própria história familiar da artista. Maraca, título que também nomeia a exposição, é um instrumento sonoro feito de cabaça e sementes, utilizado por diversas etnias brasileiras em rituais de limpeza e cura. Estando aqui representado como símbolo da resiliência destes povos enquanto guardiões da conservação e do uso responsável da terra.
Apagamentos históricos e falta de prioridade governamental em relação aos diversos ramos da ciência, cultura e arte são temas que movem o vídeo Cortina de fumaça. A artista faz menção ao Museu Nacional, destruído em um incêndio em setembro do ano passado, cujo acervo abrigava mais de 40.000 peças indígenas, representando o descaso em relação à proteção do patrimônio e da memória cultural do país.
Em Fogo, a performance da artista tocando a mão em uma vela alude à manipulação das queimadas. Na tentativa de controle da chama, sugere o amor como contrapartida aos excessos praticados pelos atuais modelos político e econômico vigentes.
A exposição Maraca tem curadoria de Michaela Blanc e fica em cartaz até o dia 19 de novembro.
MARACA
Gabriela Noujaim
Curadoria de Michaela Blanc
Simone Cadinelli Arte Contemporânea
Rua Aníbal de Mendonça, 171 – Ipanema – Rio de Janeiro
De segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábados, de 11h às 15h
Até 19 de novembro de 2019
Entrada Gratuita
Classificação livre








