As composições pictóricas de Eduardo Berliner operam com a lógica da colagem, inspiradas em fragmentos de memória e elementos cotidianos. Distorções e recombinações na forma dos corpos, assim como o hibridismo entre figuras humanas e animais, exibem a temática fantástica que é marca de sua construção poética. Em nova individual, na Casa Triângulo, em São Paulo, o artista apresenta cerca de 24 pinturas a óleo sobre tela, lona solta e madeira, além de conjuntos de desenhos, exibidos em mesas-vitrines.
Dividida em dois ambientes, a mostra traz pinturas em grandes formatos concentradas no amplo espaço expositivo da sala principal. A possibilidade de ver os trabalhos a certa distância torna a experiência da contemplação do todo mais provocativa, como nas telas Acteon (2018) e Ossada (2019). As obras expõem imagens desconcertantes que provocam estranhamento ao justapor o impossível e o cotidiano em um mesmo patamar de convivência, como em Ombro (2019), onde um corpo segura ombro com dois braços articulados, e Árvore (2016), em que um ser híbrido tem parte do corpo humano, a cabeça em forma de árvore e uma máscara facial nas mãos. Na segunda parte da exibição, produções com dimensões menores exibem ossos, animais, outros híbridos e um autorretrato.
Os desenhos corroboram o exercício diário de observação como processo condutor dos trabalhos. Um conjunto de dez cadernos, realizado ao longo do último ano, tem as páginas viradas semanalmente durante o período da exposição. Em outro grupo, Sem título (2017-2018), cinquenta pequenos cartões com imagens e textos em nanquim e aquarela compõem narrativa metafórica sobre a condição humana, presente em toda a obra do artista. Como explica Berliner, a diversidade imagética de sua produção é o resultado de “anotações de natureza distinta que flutuam entre a observação do meu entorno, informação absorvida de maneira consciente e inconsciente e um mapeamento de questões íntimas com forte carga psicológica”.
A forma dos restos
Eduardo Berliner
Casa Triângulo
Rua Estados Unidos, 1324 – São Paulo
De segunda a sábado, das 10h às 19h
Até 14 de setembro de 2019
Entrada gratuita
Classificação livre










