Traçar um panorama da representação da “realidade” na arte contemporânea, do surgimento do fotorrealismo, ao aprimoramento do hiper-realismo até a expansão de novas mídias, é a proposta da mostra itinerante 50 anos de Realismo, em exibição no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, até o dia 29 de julho. A exposição apresenta 92 trabalhos de 30 artistas, de diferentes gerações e nacionalidades, entre os anos 1970 e 2018, ocupando o térreo e o segundo andar da instituição carioca, após ter passado por São Paulo e Brasília.
Com curadoria de Tereza de Arruda, o percurso das obras está distribuído por segmentos: histórico, contemporâneo, tridimensional e de realidade virtual. A exposição começa pela primeira geração de pintores fotorrealistas e hiper-realistas, incluindo trabalhos de artistas que participaram da Documenta, de 1972, em Kassel, quando essas tendências ficaram evidenciadas pela primeira vez em âmbito internacional. Deste período, destacam-se obras do inglês John Salt e do americano Ben Schonzeit.
O fotorrealismo surgiu no final da década de 1960, quando jovens artistas americanos passaram a desenvolver minuciosa pintura realista, a partir de fotografias, como uma reação ao abstracionismo preponderante nas artes visuais. Na década de 1970, o hiper-realismo pretendia ser ainda mais fiel à “realidade” do que a fotografia e o fotorrealismo na pintura. Valorizando cenas do cotidiano, essas vertentes têm acompanhado as tecnologias digitais incorporadas à fotografia até os dias de hoje, como mostra o segundo núcleo da exposição com obras hiper-realistas contemporâneas subdivididas em retrato, paisagem, natureza-morta e paisagem urbana. Trabalhos como dos artistas brasileiros Fábio Magalhães e Hildebrando de Castro, além do espanhol Andrés Castellanos, do inglês Paul Cadden, entre outros, desafiam o espectador quanto à veracidade da técnica. Seriam mesmo pinturas ou fotografias?
Obras escultóricas também estão presentes em 50 anos de Realismo. Dispostos pelas salas do segundo andar, os trabalhos propõem a representação de figuras humanas por uma tridimensionalidade contemporânea, como as esculturas do americano John Deandrea. No andar térreo do CCBB RJ, estão exibidas as instalações do dinamarquês Peter Land e a escultura Nikutai (corpo de carne), de 2018, do jovem paulista Giovani Caramello, produzida especialmente para esta exposição. Autodidata, Caramello iniciou a carreira com modelagem 3-D, tornando-se escultor – sua obra tem ressonâncias com a produção do australiano Ron Mueck, ausente nesta mostra. Referência mundial em esculturas hiper-realistas, Mueck teve exposições de grande público no Brasil, entre 2014 e 2015, no Museu de Arte Moderna do Rio e na Pinacoteca de São Paulo.
A última parte da exposição traz obras que tratam da “nova realidade”. Trabalhos multimídia de realidades mista, ampliada e virtual são apresentados aos visitantes através de monitores, projeções, óculos especiais e até por aplicativo de celular, como a série Tracker (2017) da francesa Fiona Valentine Thomann. Experiências imersivas virtuais, que expandem a percepção das imagens e só se completam com a ação do espectador, finalizam o circuito da mostra.
50 anos de Realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual
Curadoria de Tereza de Arruda
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro
De quarta a segunda, das 9h às 21h
Até 29 julho de 2019
Classificação livre
Entrada franca












