Com a onda de conservadorismo que nos assola e as claras tentativas de silenciamento que atingem artistas e instituições culturais, a arte engajada, de cunho político, recupera o fôlego e se faz presente em grande parte da produção artística das novas, e não tão novas, gerações. Nada mais pertinente, o momento é propício e exige posicionamento.
É o que faz Marcela Cantuária em sua exposição individual Sutur|ar Libert|ar. Além de trazer uma temática em sintonia com o momento, suas telas em grandes dimensões são visualmente impactantes e proporcionam ao público bons momentos de imersão estética. Há em todo o percurso um tom de denúncia. As imagens ganham, pelas mãos da artista, uma leitura com forte apelo pop, que se assemelha, em alguns momentos, à própria estética da pop art americana.
Cantuária transita por assuntos locais e globais e também por diferentes épocas, partindo sempre de uma das maiores dicotomias da história: capitalismo x socialismo. A curadora Joyce Delfim destaca que, dentro desse contexto, são trabalhados os conceitos de ruína e transformação em obras como Tudo que é sólido desmancha no ar (2018).
Como uma espécie de panorama das mazelas humanas, Sutur|ar Libert|ar traz reflexões sobre temas recorrentes em uma nova clave, permitindo ao espectador sair com muito mais perguntas do que respostas. Ali não há conforto, há embate. A exposição fica em cartaz até o dia 27 de julho, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Centro do Rio de Janeiro.
Sutur|ar Libert|ar
Marcela Cantuária
Curadoria de Joyce Delfim
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica
Rua Luís de Camões, 68 – Praça Tiradentes – Rio de Janeiro
De segunda a sábado, das 12h às 18h
Até 27 de julho
Entrada gratuita
Classificação livre







