A fotógrafa Letizia Battaglia capturou momentos icônicos da “guerra da máfia”, em Palermo, na Itália, durante as décadas de 1970 e 1980. Por suas lentes, registrou o percurso histórico de violência e devastação por que passou a cidade, durante os anos de domínio da Cosa Nostra e o posterior movimento antimáfia, que desarticulou o sistema de corrupção político-empresarial da região, na década de 1990. Battaglia sempre considerou a fotografia um mecanismo de militância política e denúncia social, documentando também o cotidiano das regiões mais pobres, a mudança de costumes ocasionada pela guerra e os exageros da elite siciliana. Percorrendo os 40 anos de carreira da italiana, considerada uma das mais importantes fotógrafas europeias de sua geração, a exposição Letizia Battaglia: Palermo chega ao Instituto Moreira Salles Paulista com cerca de 90 imagens, além de filmes e exemplares de publicações, depois de ter passado pelo Zisa Zona Arti Contemporanee (ZAC), em Palermo, pelo Museo Nazionale delle Arti del XXI Secolo (MAXXI), em Roma e, recentemente, pelo IMS-Rio.
O uso de lente grande angular permitia que Battaglia avançasse pelas cenas, se posicionando muita próxima do fotografado, o que se tornou uma marca de seu trabalho. Quando registrou a prisão do chefe mafioso Leoluca Bagarella, em 1979, a fotógrafa estava tão próxima do evento que chegou a ser agredida pelo criminoso, sendo jogada ao chão. Em outras obras, capturou as mais diversas cenas de assassinatos e chacinas, pouco tempo após as execuções, pontuando os momentos de barbárie e abandono a que a sociedade italiana estava submetida naqueles tempos. Ao eliminar os espaços entre a câmera e o retratado, a artista leva o espectador a se confrontar com toda a sensação de desconforto e tensão do momento captado.
A mostra traz ainda uma série de imagens de crianças inseridas no contexto de pobreza e violência que abarcava a região da Sicília. Battaglia desenvolveu interesse particular por meninas em torno de 10 anos de idade. Ao abordá-las de forma direta e, talvez, invasiva, a fotógrafa captou expressões singulares que denotam desconfiança e desconforto com a câmera, ao mesmo tempo que preservam uma aura de inocência da infância, produzindo imagens de potência poética e apuro formal, como em Menina com a bola.
Ao longo de sua intensa trajetória profissional, além da fotografia e de coberturas jornalísticas, Battaglia se dedicou a outras atividades culturais, como teatro, galeria fotográfica, a fundação da revista Grandevú, nos anos 1970, e pequena editora independente, em 1992. Parte de suas publicações se encontra exibida nesta exposição, juntamente com filmes de entrevistas e o documentário La mia Battaglia (2016), do cineasta siciliano Franco Maresco.
*MATÉRIA INICIALMENTE PUBLICADA EM 19/11/2018 DURANTE TEMPORADA NO IMS-RIO. ATUALIZADA EM 24/05/2019 PARA A EXIBIÇÃO DE SP.
Letizia Battaglia: Palermo
Curadoria
de Paolo Falcone
Instituto Moreira Salles – IMS-Paulista
Avenida Paulista, 2424 – São Paulo
De terça-feira a domingo e feriados, das 10h às 20h
Quintas, das 10h às 22h
Até 22 de setembro de 2019
Entrada gratuita
Classificação livre
Exibição anterior
Instituto Moreira Salles – IMS-Rio
Galeria Marc Ferrez
Rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea – Rio de Janeiro
De terça-feira a domingo, de 11h às 20h
Até 17 de fevereiro de 2019
Entrada gratuita
Classificação livre
www.ims.com.br








