Por Valesca Veiga
Henri Cartier-Bresson, um dos mais importantes fotógrafos do século 20, afirmou que o ato de “fotografar significa reconhecer, simultaneamente e numa fração de segundo, tanto o fato em si quanto a rigorosa organização das formas visuais que lhe dão sentido”. Ao conhecer o trabalho do chileno Sergio Larrain, em 1959, Cartier-Bresson o convidou a se tornar membro da prestigiada agência Magnum Photos. A obra inquietante de Larrain, que explorava diferentes ângulos e planos em busca de fragmentos de realidade que dessem significado às imagens, pode ser vista na retrospectiva que o Instituto Moreira Salles Paulista exibe até o dia 25 de agosto, após passagem pela unidade Rio, no ano passado.
Sergio Larrain: um retângulo na mão tem um recorte cronológico, desde o início da produção do artista, quando clicava crianças abandonadas nas ruas de Santiago, passando pelas coberturas internacionais, pela volta à terra natal, até seu afastamento do mercado fotográfico, quando optou por se isolar no povoado de Tulahuén, no Chile. A mostra destaca ainda ensaios de Valparaíso, cidade que seria retratada diversas vezes por Larrain, e que voltaria a fazer parte de seus registros em seu retorno da Europa.
Nas montagens do IMS, a exposição ganha seção que recupera as colaborações do fotógrafo para “O Cruzeiro Internacional“, versão da publicação brasileira que concorria diretamente com a revista Life, no mercado latino-americano
Algumas composições peculiares exploram as particularidades dos lugares por diversos planos, como a série Bar Los Siete Espejos, de 1963, onde o fotógrafo aproveita um jogo de espelhos para registrar várias cenas do mesmo ambiente. O recurso de desfocar o primeiro plano, como Trafalgar Square, de 1958-1959; a presença do chão e do jogo de exposição de luz e sombra, como em Passagem de Bavestrello, de 1952; e o enquadramento de Ilha de Chiloé, de 1957, davam singularidade à abordagem experimental, que não se enquadrava nos padrões documentais do fotojornalismo em voga na época.
Nas montagens do IMS, a exposição ganha seção que recupera as colaborações do fotógrafo para O Cruzeiro Internacional, versão da publicação brasileira que concorria diretamente com a revista Life, no mercado latino-americano. Entre as 12 publicações, de 1957 a 1960, seis delas têm textos do próprio artista, marcando o início de sua carreira como freelancer. Apesar da obra significativa, Sérgio Larrain se afastou da prática fotográfica, dedicando a maior parte da sua vida à meditação, à escrita e ao desenho. Escolhas poéticas e pessoais que fugiram do óbvio e das convenções.
*Resenha inicialmente publicada em 03/09/2018 durante temporada no IMS-RIO. Atualizada em 19/05/2019 com informações de SP.
Sergio Larrain: um retângulo na mão
Curadoria de Agnès Sire, Miguel Del Castillo e Samuel Titan Jr.
Instituto Moreira Salles Paulista – IMS-Paulista
Avenida Paulista, 2424 – São Paulo
De terça-feira a domingo e feriados, das 10h às 20h
Quintas, das 10h às 22h
Até 25 de agosto de 2019
Entrada gratuita
Classificação livre
Exibição anterior
Instituto Moreira Salles Rio – IMS-Rio
Rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea – Rio de Janeiro
De terça-feira a domingo, de 11h às 20h
Até 09 de setembro de 2018
Entrada gratuita
Classificação livre





