Tocar para ver

[vc_row][vc_column width=”1/6″][/vc_column][vc_column width=”2/3″][vc_column_text]Por Ludimilla Fonseca[/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]Cimento manchado de batom é o nome da sexta individual de Hugo Houayek, que entra em sua última semana de exibição na galeria Simone Cadinelli, em Ipanema. O título da exposição descreve precisamente os materiais usados na produção das obras: cimento e batom, além de esmalte de unha. Já o tom meio kitsch conota de maneira despretensiosa a proposta que o artista nos faz ao entrarmos em contato com as pinturas e objetos apresentados: o estabelecimento de uma relação mais emocional e corpórea com as obras. Uma relação que é da ordem do campo sensorial, para além do contemplativo.

 

Ao utilizar materiais industriais para a produção de suas peças, Houayek tensiona não apenas aspectos da prática artística tradicional, mas questiona a normatização dos hábitos nos espaços expositivos. Ao longo do tempo, fomos convencidos a frequentar exposições de maneira contida, em silêncio e observando as obras a uma certa distância. Assim, foi instituída a noção da obra de arte como elemento intocável e inatingível, que é exibido de maneira muito específica para a apreciação estético-visual.

 

Isto posto, a simbiose que o artista estabelece entre cor e textura, a partir destes materiais não-convencionais, é uma provocação aos corpos que visitam a exposição e que se sentem impelidos a tocar, cheirar e interagir com os trabalhos. Ampliando a noção metafórica que propõe entender as obras como elementos vivos, corpos maquiados e retocados, cabe a figura de linguagem da sinestesia: o “tocar para ver”.

 

Com curadoria de Raphael Fonseca, Houayek apresenta dois grupos de trabalhos. O primeiro deles é composto pelas pinturas feitas com batom e esmalte sobre papel. Aquilo que é tradicionalmente utilizado para pintar os corpos é subvertido em maquiagem de superfícies. A “tela como pele” é um gatilho interessante que aponta para aproximações entre a pintura e a maquiagem. Em ambos os casos, o jogo de intenções está no caracterizar, no disfarçar, no fazer parecer, na busca pela medida exata entre ocultar e revelar, iluminar e escurecer. E acima de tudo, seduzir. Sempre seduzir.

 

Ampliando a noção metafórica que propõe entender as obras como elementos vivos, corpos maquiados e retocados, cabe a figura de linguagem da sinestesia: o “tocar para ver”

 

Em diálogo com as obras bidimensionais, o segundo grupo é composto pelos objetos feitos com cimento. Com escala bem menor em relação aos trabalhos que o artista vem apresentando nos últimos anos, as peças recebem cores vivas, com tratamento ora fosco, ora brilhante, numa abrangência cromática estimulante. O uso da cor é imprescindível para enxergarmos estes tridimensionais como formas orgânicas, maleáveis e estranhas – porém e, em alguma medida, reconhecíveis, porque pressupõem moldes de sacolas plásticas e outros recipientes. Deste modo, a dureza do cimento é transformada com a ilusão da maleabilidade. A vontade de manusear para “entender melhor” a materialidade das peças é pulsante.

 

Cimento manchado de batom evidencia, então, a densidade e a abrangência da pesquisa de Hugo Houayek, ao mesmo tempo em que aponta para, pelo menos, duas questões constantes (e sempre proficuamente renovadas) na sua trajetória: o apelo cromático e a sedução sensorial. Isto significa dizer que, dentro do escopo de trabalho do artista, estamos insistentemente sendo chamados a reinventar nossos modos de lidar com as obras. Ao entrar em contato com seus trabalhos não é possível ser apenas olhos, é preciso penetrar de corpo inteiro.

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Cimento manchado de batom

Hugo Houayek
Curadoria de Raphael Fonseca
Galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea
Rua Aníbal de Mendonça, 171 – Ipanema – Rio de Janeiro
De segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábados, das 11h às 15h
Até 10 de novembro de 2018
Entrada gratuita
Classificação livre
www.simonecadinelli.com[/vc_column_text][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_empty_space][vc_empty_space][vc_column_text]Ludimilla Fonseca é jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) e mestranda em História e Crítica da Arte na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Curadora e produtora independente, escreve regularmente para as revistas Desvio e Híbrida. [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/2″][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_images_carousel images=”2215,2216,2214,2211,2212,2213″ img_size=”full”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][/vc_column][/vc_row]