[vc_row][vc_column width=”1/6″][/vc_column][vc_column width=”2/3″][vc_column_text]Por Valesca Veiga[/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]A transfiguração da adversidade em proposta de relação de afeto com o espectador, trazendo reflexões sobre a realidade hostil que permeia a contemporaneidade, parece ser o motor de Caminho da Pedra, a nova individual de Matheus Rocha Pitta. Em uma grande instalação inédita, o artista articula quatro trabalhos recentes, dispostos no chão, ocupando o salão da Galeria do BNDES. A iluminação com apenas um foco de luz baixa direcionado a cada obra opera como um catalisador do silêncio quase absoluto que emana no ambiente. Como se atravessássemos um palco, adentramos o recinto com olhar fixo nas estruturas protagonistas desta cena, que falam sem som e que pulsam sem se moverem.
Materializando argumentos sobre questões latejantes da atualidade, Matheus subverte os significados simbólicos de imobilidade da pedra e do cimento, que recebem proposições dinâmicas nas três instâncias instalativas Sopa de pedra, Aos vencedores, as batatas e Primeira pedra, e na escultura Leite de pedra. Elementos recorrentes na poética do artista, como uso de materiais simples, gesto participativo e apropriação de expressões populares estão, aqui, novamente reunidos.
Inspirada na lenda portuguesa homônima, Sopa de pedra tem parede de papelão, caixotes de madeira e esculturas em pedra-sabão que se misturam a leguminosas reais e frescas. Um monitor antigo exibe um vídeo de ação social performática do artista distribuindo sopa de pedras e legumes para transeuntes, moradores de rua e curiosos em uma rua do Centro do Rio de Janeiro. Há registros fotográficos de atos que transcorreram também em Porto Alegre e Londres.
Materializando argumentos sobre questões latejantes da atualidade, Matheus subverte os significados simbólicos de imobilidade da pedra e do cimento, que recebem proposições dinâmicas nas três instâncias instalativas Sopa de pedra, Aos vencedores, as batatas e Primeira pedra, e na escultura Leite de pedra.
Em Aos vencedores, as batatas, sacolas com tubérculos e pedras são oferecidas visualmente ao público no lugar de troféus. Uma mesa de vidro sobre tijolos apresenta taças em cimento e pequenas placas ao redor trazem imagens de jornal com vencedores de torneios esportivos erguendo suas conquistas. Uma referência crítica à noção de vitória na sociedade de consumo, enquanto que ao povo resta a condição de pobreza na representação da batata.
Para Leite de pedra, Matheus promoveu uma ação participativa em parceria com a ONG Redes da Maré, convidando as pessoas da comunidade a literalmente tirarem leite de pedra. Trocando 1 quilo de pedra por 1 litro de leite, o artista criou esculturas a partir das caixas vazias e das pedras trazidas. As unidades de caixa de leite de cimento e pedra se organizam em cima de um pallet, como os transportados pela indústria, remetendo às significâncias de critérios nas relações econômicas e dos valores das mercadorias.
Em Primeira pedra, o agente participador é o público da exposição. Ao convocar o espectador a procurar uma pedra na rua que “encha a mão” e trocá-la por pequena escultura em forma de cubo, assinada e datada, o artista propõe uma performance que integra diversos componentes simbólicos à ação. O trabalho é uma alusão à passagem bíblica da mulher adúltera, quando Jesus fala ao povo que “atire a primeira pedra quem nunca pecou”. Ao invés de apedrejar, segundo seus próprios julgamentos e convicções, o público é convocado à troca afetuosa, um cântico de paz em tempos sombrios. Mais uma vez, relações comerciais são questionadas, agora em relação ao sistema de artes e suas luxuosas tratativas de valoração das obras.
Num primeiro momento, alguns detalhes, como o distanciamento entre as obras, parecem ter sido planejados para nos dar tempo suficiente de assimilação do pensamento de cada trabalho. Mas ao sair da exposição, percebemos que o propósito de Matheus Rocha Pitta é nos inundar de reflexões sobre como metamorfosear as pedras do caminho em troféus de resistência aos (des)valores contemporâneos.
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Caminho da Pedra
Matheus Rocha Pitta
Curadoria de Luísa Duarte
Galeria do Espaço Cultural BNDES
Av. Chile, 100 – Centro – Rio de Janeiro
De segunda a sexta (exceto feriados), das 10h às 19h
Até 30 de novembro de 2018
Entrada gratuita
Classificação livre[/vc_column_text][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_empty_space][vc_empty_space][vc_images_carousel images=”2148,2151,2153,2156,2159,2178″ img_size=”full”][/vc_column][/vc_row]



