Por Valesca Veiga
Uma instalação site specific com encaixes de placas modulares ovaladas em branco e preto, montada no foyer do CCBB-Rio, permite ao espectador a interação com sua estrutura e o contato com a visualidade construtiva que ocupa todo o primeiro andar do prédio. A exposição Construções Sensíveis reúne produções abstratas latino-americanas da coleção Ella Fontanals-Cisneros, um dos mais importantes acervos de arte moderna e contemporânea do mundo, com mais de 2,6 mil obras. Com aproximadamente 120 trabalhos entre pinturas, desenhos, esculturas, objetos, instalações, fotografias e vídeos, a coletiva exibe experiências geométricas de 60 artistas de sete países da região.
A mostra homenageia a exposição Arte Agora III, América Latina: Geometria Sensível, que ocupava o Museu de Arte Moderna do Rio quando houve o trágico incêndio de 1978, destruindo boa parte do acervo da instituição. Artistas que fizeram parte daquele momento histórico estão aqui presentes como representação das tendências pioneiras da arte concreta da América Latina. Construções Sensíveis exibe poéticas construtivas desde os anos 1930, como Grafismo inciso com dos figuras (Grafismo incisivo com duas figuras), do uruguaio Joaquím Torres García, um dos precursores das experimentações formais que ultrapassavam os limites da moldura bidimensional do quadro. García, que, em Paris, fundou o grupo construtivista Cercle et Carré (O círculo e o quadrado) com os neoplasticistas Mondrian e Michel Seuphor, mais tarde uniu a pesquisa formalista a questões herdadas da cultura indígena e da arte primitiva, influenciando toda uma geração de artistas sul-americanos.
O abstracionismo geométrico das vanguardas europeias não só teve um forte impacto tardio em nossa região como, ainda hoje, ecoa na produção contemporânea
O abstracionismo geométrico das vanguardas europeias não só teve um forte impacto tardio em nossa região como, ainda hoje, ecoa na produção contemporânea. Ressonâncias poéticas construtivas que dialogam com a arte da atualidade como a imponente instalação Vilos (1981-2018), do cubano Gustavo Pérez Monzón, que alcança o equilíbrio da forma por meio de seixos pendurados a uma trama de fios elásticos, ocupando uma sala inteira da exposição. Restless 16 (2002), do brasileiro Iran Espírito Santo, propõe uma releitura pictórica da geometria através da sobreposição de placas de vidro.
A mostra homenageia a exposição Arte Agora III, América Latina: Geometria Sensível, que ocupava o Museu de Arte Moderna do Rio quando houve o trágico incêndio de 1978, destruindo boa parte do acervo da instituição
O Brasil também está representado por alguns trabalhos icônicos das décadas de 1960 e 1970, como Bichos, de Lygia Clark; Metaesquema, de Hélio Oiticica; a instalação de fios dourados Ttéia, de Lygia Pape; Depois do centro, trabalho em papel de Ana Maria Maiolino; pinturas de Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Volpi e Ivan Serpa; Objeto Ativo, de Willys de Castro. Um espaço destinado à arte cinética, com obras que trazem movimento e rompem com a condição estática da pintura, tem produções dos argentinos Julio Le Parc e Gregorio Vardenega, e da venezuelana Magdalena Fernández. Construções Sensíveis é uma oportunidade singular de percorrer o caminho construtivo da arte abstrata da América Latina, desde os anos 1930. Proximidades sensíveis que, agrupadas, unem poéticas modernas e contemporâneas, derrubando fronteiras.
Construções Sensíveis: a experiência geométrica latino-americana na coleção Ella Fontanals-Cisneros
Curadoria de Rodolfo de Athayde e Ania Rodríguez
Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB-RJ – 1º andar e rotunda
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro
De quarta-feira a segunda-feira, de 9h às 21h
Até 17 de setembro de 2018
Entrada gratuita
Classificação livre
http://www.culturabancodobrasil.com.br/portal/rio-de-janeiro
















